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WSL em Maresias 2026: Challenger Series chega à terra de Gabriel Medina

26 de setembro de 2026 · 9 min de leitura

O circuito mundial desembarca no litoral norte de São Paulo. A janela abre hoje, 26 de setembro, e vai até 3 de outubro de 2026: a Praia de Maresias, em São Sebastião, recebe o Banco do Brasil São Sebastião Pro, etapa do Challenger Series da World Surf League. É a primeira vez que o estado de São Paulo recebe uma etapa da divisão que dá acesso à elite do surfe mundial.

E não é em qualquer praia. Maresias é onde Gabriel Medina aprendeu a surfar, onde a família Pupo mora e treina, e onde o surfe profissional brasileiro escreveu vários capítulos nas últimas três décadas. A etapa chega uma semana depois de Miguel Pupo, cria da praia, vencer em Lower Trestles, e no momento em que a corrida pelas vagas do CT 2027 entra na fase decisiva.

Resumo rápido: BB São Sebastião Pro 2026

  • Onde: Praia de Maresias, São Sebastião (SP)

  • Quando: janela de 26 de setembro a 3 de outubro de 2026

  • Quem: 80 homens e 48 mulheres de todo o mundo

  • O que vale: pontos no ranking do Challenger Series, que classifica os 10 melhores homens e as 6 melhores mulheres para o CT 2027

  • Onde assistir: ao vivo e de graça no site e no app da WSL

  • Fora da água: show de abertura, yoga, treino funcional e clínicas de esporte gratuitas durante a semana

A etapa faz parte de um calendário de cinco paradas. Depois de Maresias, o circuito segue para Ericeira, em Portugal, de 6 a 12 de outubro, e termina em Newcastle, na Austrália, em março de 2027.

Maresias, a terra de Gabriel Medina

Nenhum nome está tão ligado a Maresias quanto o de Gabriel Medina. Ele nasceu em São Sebastião em 22 de dezembro de 1993 e cresceu em Maresias. Foi nessa areia que o padrasto, Charles Saldanha, ensinou o menino a surfar e montou a estrutura que levaria ao topo do mundo.

O resultado virou história do esporte brasileiro:

  • 2014: primeiro brasileiro campeão mundial de surfe, aos 20 anos

  • 2018: bicampeão mundial

  • 2021: tricampeão mundial

  • 2024: medalha de bronze nas Olimpíadas de Paris, em Teahupo'o, com a maior nota de uma onda no evento (9,9). A foto dele "flutuando" no ar depois da onda rodou o mundo.

Em 2017, Medina inaugurou o Instituto Gabriel Medina de frente para o mar em Maresias, no mesmo lugar onde começou a surfar. O instituto forma atletas de 10 a 17 anos, com treino técnico e físico, acompanhamento psicológico e médico, aulas de inglês e informática, e apoio para viagens. A irmã dele, Sophia Medina, também saiu de lá para o circuito profissional.

Em 2026, Medina está no CT e caiu na estreia em Trestles justamente para outro brasileiro, Mateus Herdy, que agora disputa o Challenger Series em Maresias.

A família Pupo: de Maresias para a elite

Se Medina é o nome mais famoso de Maresias, os Pupo são a família mais tradicional da praia. O pai, Wagner Pupo, passou 16 anos na primeira divisão do circuito brasileiro e manteve uma escola de surfe no litoral norte, onde os filhos cresceram.

  • Miguel Pupo nasceu em Itanhaém, mas foi criado em Maresias. Aos 34 anos, vive a melhor fase da carreira: venceu em Bells Beach e em Trestles em 2026 e está em 4º no ranking mundial, na briga pelo título.

  • Samuel Pupo, o Samuca, nasceu em Maresias em 2000. Estreou no CT em 2022, terminou em 10º e foi eleito o Rookie of the Year da temporada.

Miguel, aliás, já sabe o que é vencer em casa: foi campeão da etapa do QS em Maresias em 2015.

Maresias já recebeu o mundo antes

O Challenger Series é inédito em São Paulo, mas Maresias está longe de ser estreante. A praia recebeu várias etapas do circuito de acesso ao longo das décadas, e a lista de campeões em São Sebastião tem nomes que depois chegaram à elite:

AnoCampeãoEvento
2018Yago Dora (SC)Red Nose São Sebastião Pro
2017Deivid Silva (SP)Hang Loose São Sebastião Pro
2015Miguel Pupo (SP)Oi HD São Paulo Open of Surfing
2014Filipe Toledo (SP)O'Neill SP Prime
2010Caetano Vargas (SC)SuperSurf International
2005Pedro Henrique (RJ)Reef Classic
2000Christiano Spirro (BA)Hang Loose Pro Contest
1999Peterson Rosa (PR)Hang Loose Pro Contest
1993Renan Rocha (SP)Sea Club Final Heat

Repare nos nomes: Filipe Toledo virou bicampeão mundial, Yago Dora está na briga pelo título de 2026, e Deivid Silva está de novo em Maresias, agora brigando pela volta ao CT.

Os grandes nomes na água

O line-up mistura quem está a um passo do CT com nomes que já brilharam na elite e querem voltar.

Masculino: disputa ponto a ponto na liderança

O potiguar Weslley Dantas chega a Maresias como líder do ranking, com 15.700 pontos, apenas 295 à frente do havaiano Jackson Bunch (15.405). Logo atrás vêm dois americanos pesados: Jake Marshall (14.745) e Cole Houshmand (13.320), que acaba de vencer o Fiji Pro em Cloudbreak pelo CT. O top 5 fecha com o brasileiro Ryan Kainalo (10.995).

A torcida brasileira tem muita gente para acompanhar:

  • Weslley Dantas, líder, pode abrir vantagem jogando em casa.

  • Ian Gouveia, 6º, com 10.105 pontos.

  • Deivid Silva, 8º, com 9.025 pontos. Campeão em Maresias em 2017, conhece a bancada como poucos.

  • Mateus Herdy, 11º, com 8.065 pontos. Ele chega embalado depois de eliminar Gabriel Medina na estreia em Trestles.

  • Gabriel Klaussner, 13º, com 7.755 pontos.

Também há espaço para os locais. Na seletiva da prefeitura, Rodrigo Saldanha, de Maresias, e Mayara Zampiery, de Cambury, garantiram os convites da casa.

Feminino: Sierra Kerr na frente

A australiana Sierra Kerr lidera com folga, com 20.745 pontos. Atrás dela vêm a portuguesa Teresa Bonvalot (13.590), Eden Walla (13.150), Francisca Veselko (12.545) e Ariane Ochoa (11.465). Com só seis vagas para o CT, cada resultado conta.

Pelo Brasil, Laura Raupp aparece em 14º, com 6.985 pontos, e precisa de um grande resultado em casa para encostar na zona de classificação.

As ondas de Maresias

Maresias é um beach break de fundo de areia, com cerca de 4 km de extensão, conhecido pela consistência e por ondas fortes e tubulares quando o swell de sul e sudeste entra com vento terral. A organização trabalha com ondas entre 0,6 e 1,3 metro durante a janela.

Em um beach break, o banco de areia muda de um dia para o outro. Por isso a leitura do mar pesa tanto quanto o repertório de manobras. A direção do swell, o período e o horário da maré decidem onde está a melhor bancada em cada bateria. Quem acerta o pico sai na frente.

Guia de surfe em São Sebastião

São Sebastião tem cerca de 100 km de litoral, e a maior parte das ondas fica na costa sul, ao longo da Rio-Santos (BR-101). Se você vai acompanhar o campeonato, vale conhecer os picos vizinhos, que costumam ser alternativa quando Maresias está cheia ou fechando:

  • Maresias: a cerca de 27 km do centro. O pico mais famoso da cidade, para surfistas de nível intermediário a avançado nos dias de swell.

  • Praia Brava: acesso por trilha a partir de Boiçucanga. Mais exposta ao swell e bem menos movimentada.

  • Boiçucanga: a cerca de 36 km do centro. Tem a melhor estrutura da costa sul e ondas mais tranquilas, boa opção para iniciantes.

  • Camburi: a cerca de 40 km do centro. Point tradicional dos surfistas da região, e casa de Mayara Zampiery, convidada local do evento.

  • Juquehy: a cerca de 51 km do centro. Praia larga e mais protegida, com ondas menores na maioria dos dias.

A melhor época para ondas no litoral norte vai do outono ao início da primavera, quando as frentes frias empurram swells de sul e sudeste para a costa. A janela do Challenger Series, no fim de setembro, cai justamente nesse período.

Enquanto isso, no CT: Erin Brooks entra para a história

A etapa de Maresias chega uma semana depois do fim da temporada regular do Championship Tour, no Lexus Trestles Pro, na Califórnia.

  • Erin Brooks (CAN) venceu Gabriela Bryan na final por 13,00 a 11,90 e conquistou a terceira vitória seguida no CT, depois de Teahupo'o e Cloudbreak. Só Stephanie Gilmore (2008) e Carissa Moore (2014/15) tinham feito isso antes. Aos 19 anos, a canadense subiu para 5ª do mundo.

  • Miguel Pupo (BRA) bateu Kanoa Igarashi por 14,77 a 14,40 e levou a segunda vitória de 2026, depois de Bells Beach. Foi a primeira vitória dele em Trestles, e o brasileiro subiu para 4º do ranking, de olho no título.

  • Gabriela Bryan (HAV) voltou a vestir a lycra amarela de líder do ranking.

  • Filipe Toledo foi eliminado por Liam O'Brien, resultado que encerrou a tentativa do bicampeão de salvar a temporada.

O que vem pela frente

Com o cancelamento do Surf Abu Dhabi Pro, o CT termina com 12 etapas. Os próximos passos:

  1. Challenger Series, Maresias: 26 de setembro a 3 de outubro

  2. Challenger Series, Ericeira: 6 a 12 de outubro

  3. CT, MEO Rip Curl Pro Portugal (Peniche): 16 a 25 de outubro

  4. CT, Philippines Pro (Siargao): 31 de outubro a 10 de novembro

  5. CT, Lexus Pipe Masters (Havaí): 8 a 20 de dezembro

Em 2026 não existe mais o WSL Finals. O título mundial sai da soma de pontos: os nove melhores resultados de cada surfista nas 12 etapas. A Pipeline fecha a temporada valendo 15.000 pontos, 50% a mais que uma etapa comum. Ou seja, a briga de Pupo, Yago Dora, Bryan e Brooks pelo título deve ir até o Havaí.

Perguntas frequentes

Quando é o campeonato de surfe em Maresias?

A janela do Banco do Brasil São Sebastião Pro vai de 26 de setembro a 3 de outubro de 2026. Os dias de competição dependem das condições do mar, e a organização decide a cada manhã se as baterias vão para a água.

Onde assistir ao Challenger Series ao vivo?

A transmissão é ao vivo e gratuita no site da World Surf League e no app oficial da WSL. Na praia, o acesso para assistir também é livre.

Quantos surfistas se classificam para o CT pelo Challenger Series?

Ao fim da temporada 2026/27, os 10 primeiros do ranking masculino e as 6 primeiras do feminino garantem vaga no Championship Tour de 2027.

Gabriel Medina é de Maresias?

Sim. Medina nasceu em São Sebastião em 1993 e cresceu em Maresias, onde aprendeu a surfar e onde fica o Instituto Gabriel Medina.

Vai a Maresias?

Se você vai assistir de perto ou quer cair na água nos dias sem bateria, confira a previsão de Maresias antes de pegar a estrada. Swell, vento e maré mudam tudo num beach break como Maresias, e são essas mesmas condições que vão decidir quem sai de São Sebastião mais perto do CT.

Para as baterias do dia, os resultados e a previsão até o fim da janela, acompanhe o WSL Maresias hoje: resultados e o swell que vem aí.

Foto de capa: a Praia de Maresias vista do alto, de Jorge Morales Piderit, CC0.

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