O furacão Polo tocou terra na Baja California Sur, no México, na madrugada desta terça-feira, 29 de setembro, como categoria 2. O serviço meteorológico mexicano registrou ventos sustentados de 150 a 170 km/h, rajadas de até 200 km/h e ondas de 7 a 9 metros.
Mas a história do Polo para quem surfa começou uma semana antes. No dia 22, ele virou um dos furacões mais intensos já medidos no Pacífico, e passou os dias seguintes subindo a costa do México e mandando swell para praias a centenas e milhares de quilômetros. Aqui está o caminho desse swell, praia por praia.
Furacão Polo: resumo rápido
Pico: categoria 5, ventos de 285 km/h e pressão central de 892 mb em 22 de setembro. É o segundo furacão mais intenso do Pacífico por pressão, atrás só do Patricia (2015)
Toque em terra: 29/09, às 23h do dia 28 no horário local, ao sul de Las Barrancas, na costa oeste da Baja California Sur, como categoria 2
Ondas: 7 a 9 m na costa da Baja, segundo o México; 7 a 8 m em Acapulco
Swell: atingiu o Pacífico mexicano, Los Cabos e o sul da Califórnia, onde chegou entre 27 e 29 de setembro
Agora: Polo cruza o Golfo da Califórnia, toca terra de novo em Sonora e se desfaz sobre o continente até quarta-feira (30). O swell está em queda
Como o furacão Polo virou categoria 5 em 40 horas
O Polo se formou em 20 de setembro como depressão tropical ao largo da costa sudoeste do México e virou tempestade tropical no dia 21. Encontrou o cenário perfeito para crescer: água a 31 °C e quase nenhum cisalhamento do vento.
O resultado foi uma das intensificações mais rápidas já registradas. Os ventos subiram cerca de 175 km/h em 24 horas, e o sistema foi de depressão tropical a categoria 5 em aproximadamente 40 horas. No dia 22 bateu 892 mb.
Nos dias seguintes, ciclos de troca da parede do olho fizeram a intensidade oscilar. O Polo foi o primeiro furacão do Pacífico a atingir a categoria 5 três vezes. Na sexta-feira (25), ainda categoria 5, estava a cerca de 640 km a sudeste de Cabo San Lucas.
Como um furacão gera swell
As ondas que chegam a uma praia distante nascem do vento soprando sobre o mar. Três fatores decidem o tamanho do swell:
Força do vento: quanto mais forte, mais energia passa para o mar
Pista (fetch): a extensão de mar sobre a qual o vento sopra na mesma direção
Duração: por quanto tempo o vento sopra sobre essa pista
Um furacão compacto tem vento extremo, mas numa área pequena. O que fez do Polo uma máquina de swell foi a combinação de intensidade de categoria 5 com vários dias subindo paralelo à costa. O lado do furacão que se move na mesma direção do swell funciona como uma esteira: o vento continua empurrando as ondas que ele mesmo criou.
Perto do centro, o mar é caótico. Longe dele, as ondas se organizam em linhas, com período mais longo, e chegam limpas a praias onde não há vento nenhum.
Swell do furacão Polo: onde as ondas chegaram, praia por praia
Os números abaixo vêm do modelo de ondas para o mar em frente a cada praia e mostram a altura significativa máxima do dia. Na arrebentação, a face da onda costuma ser bem maior que esse número, principalmente em pontos que concentram energia.
| Praia | Pico do swell | Altura (máx.) | Direção | Período |
|---|---|---|---|---|
| Boca de Pascuales, Colima | 24/09 | 3,1 m | S (162°) | 10 s |
| Playa Costa Azul, San José del Cabo | 25 a 27/09 | 2,4 a 2,9 m | SE a S | 10 a 11 s |
| Cerritos, Baja California Sur | 27/09 | 3,0 m | S (199°) | 9 s |
| Newport Beach, Califórnia | 28 e 29/09 | 1,4 m | S (185°) | 12,5 s |
| Seal Beach, Califórnia | 28 e 29/09 | 1,3 m | S (173°) | 12 s |
Dá para ver o swell subindo a costa junto com o furacão: primeiro Colima, depois Los Cabos, depois o sul da Califórnia, a mais de 1.400 km de Cabo.
Ondas no Pacífico mexicano
Na passagem do Polo pela costa sudoeste do México, o mar chegou a 7 e 8 metros em Acapulco. Em Boca de Pascuales, um dos beach breaks mais pesados do país, o modelo marcou 3,1 m no dia 24. Em San Blas, Nayarit, uma enchente de rio deixou mais de uma dúzia de pessoas ilhadas.
Ondas em Los Cabos
O primeiro pulso de sudeste chegou a San José del Cabo na sexta-feira (25), com o furacão ainda a centenas de quilômetros. Segundo a previsão da Surfline citada pela revista Surfer, os melhores picos passaram do dobro do overhead, com as maiores ondas chegando a faces de quase 15 pés (cerca de 4,5 m). No lado do Pacífico, Cerritos e San Pedrito receberam o maior mar no domingo (27).
Swell no sul da Califórnia
O Polo não chegou perto da Califórnia, mas o swell sim. Ele começou a chegar no fim do domingo (27) e ficou no auge na segunda e na terça, somado a marés altas de cerca de 2,1 m (7 pés) pela manhã. As praias viradas para o sul foram as mais expostas: Long Beach, Belmont Shore, Avalon, Malibu e Seal Beach, onde equipes ergueram barreiras de areia e prepararam bombas contra alagamentos.
O swell do Polo chegou junto com energia do furacão Odalys, que estava mais a oeste, no Pacífico aberto. Nas praias da Califórnia, os dois se misturaram.
Trajetória do furacão Polo e previsão das ondas agora
O Polo perde força rapidamente sobre o continente e deve se dissipar até quarta-feira (30). Sem vento alimentando o mar, o swell entra em queda:
Sul da Califórnia: o modelo mostra o mar em Newport caindo de 1,4 m na terça para cerca de 0,9 m na quinta (1º de outubro)
Costa oeste da Baja e noroeste do México: o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC) mantém alerta de mar perigoso e correntes de retorno por mais cerca de um dia
A umidade do Polo segue para o sudoeste dos Estados Unidos, com alerta de enchentes em 11 estados. O México registrou pelo menos dois mortos e um desaparecido até agora.
El Niño 2026 e uma temporada de furacões fora da curva
O Polo é o terceiro furacão de categoria 5 da temporada 2026 no Pacífico Leste, depois de Genevieve e Lowell, e o 25º na região desde 1949. Os meteorologistas apontam o El Niño forte, que aquece a superfície do Pacífico e reduz o cisalhamento do vento, como pano de fundo dessa atividade.
Para quem surfa, isso significa uma temporada de muito swell de furacão no Pacífico mexicano e na Califórnia, e a necessidade de acompanhar cada sistema com atenção. Swell de furacão chega forte, com período longo e séries que surpreendem até surfistas experientes.
Perguntas frequentes
Qual a categoria do furacão Polo?
No pico, em 22 de setembro, o Polo foi categoria 5, com ventos de 285 km/h e pressão de 892 mb. Tocou terra na Baja California Sur como categoria 2 e perde força rapidamente sobre o continente.
Onde o furacão Polo tocou terra?
Ao sul de Las Barrancas, na costa oeste da Baja California Sur, no México, às 6h UTC de 29 de setembro (23h do dia 28 no horário local), como categoria 2. Em seguida cruzou o Golfo da Califórnia rumo a Sonora.
Qual foi o tamanho das ondas do furacão Polo?
O serviço meteorológico do México registrou ondas de 7 a 9 metros na costa da Baja California. Em Acapulco, o mar chegou a 7 e 8 metros. Em Los Cabos, as maiores ondas surfáveis chegaram perto de 15 pés de face.
O furacão Polo vai atingir a Califórnia?
Não diretamente. O que chegou à Califórnia foi o swell, entre 27 e 29 de setembro, com risco de erosão e alagamento em praias viradas para o sul. A umidade do Polo também traz chuva ao sudoeste dos Estados Unidos.
O furacão Polo afeta as ondas no Brasil?
Não. O Polo está no Pacífico Norte, e o swell que chega ao litoral brasileiro vem do Atlântico Sul, gerado por frentes frias e ciclones extratropicais. Para as condições no Brasil, veja a previsão de cada praia no AriaSurf.
Por que o Polo ficou tão forte?
Água a 31 °C, pouco cisalhamento do vento e o El Niño forte de 2026. Com isso, o Polo foi de depressão tropical a categoria 5 em cerca de 40 horas e chegou a 892 mb, o segundo valor mais baixo já medido no Pacífico.
Previsão das ondas nas praias atingidas
Swell de furacão muda rápido e cada praia recebe de um jeito, conforme a exposição e o fundo. Confira a previsão de Costa Azul, Cerritos, Newport Beach, Huntington Beach e Malibu antes de entrar na água.
Imagem de capa: furacão Polo na categoria 5, em 22 de setembro, visto pelo satélite NOAA-20 (VIIRS). NOAA, domínio público.